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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Exorcismo...


Não...

Não quero mais a mesma história de sempre...
Que se danem os nós
Os amores incipientes
A solidão inóspita
Os cuidados excessivos

Não quero mais contos de fadas...
Nada de príncipes encantados
Sem abóboras
Sem varinhas de condão
Sem sapatinhos de cristal


Quero sentir nas veias
A emoção de cada beijo
A sutileza de cada toque
O desejo contido em cada abraço


Quero correr o risco
De me ferir
De errar
De machucar
Mas também de acertar
De viver
De amar
De ser feliz
Nem que seja por poucos segundos...


Chega de redomas de cristal
Impedindo que a vida me toque e me dê o seu melhor e o seu pior
Chega de versos ritmados
Quero que as palavras sejam ditas conforme minha alma as pronuncia


Quero ir de um extremo ao outro
Provar os venenos e os néctares
A santidade e o pecado
A escuridão e a luz
Sem me preocupar com o quanto isso pode doer
E o preço que terei que pagar...


Quero o ar tomando conta do meu peito
O vento arrepiando a minha pele
A chuva lavando a minha alma
As sensações tomando conta do meu mais íntimo ser...


Quero os espinhos das rosas me ferindo
O sol queimando o meu corpo
O silêncio me fazendo companhia


Que as correntes se rompam
Que os paradigmas se quebrem
Que os muros caiam
E que a vida se faça presente...

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Ano Novo

O ano chega ao fim... Hoje termina o Natal, daqui há um pouco mais um ano se vai.

No fim do ano passado recebi um texto, escrito por Carlos Drummond de Andrade, que fundamenta muito bem o que eu pretendo expressar aqui, por isso, vou colocá-lo para que fique bem claro o que pretendo dizer...


"TEMPO. . .
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente..."




...Perceba as verdades contidas nessas palavras.
Qual a diferença entre o dia 31 de dezembro e 1º de janeiro do ano seguinte??? Absolutamente nenhuma!!!!
Acaba-se um dia, inicia-se outro, exatamente como acontece a cada 24 horas. A diferença está no momento em que isso acontece.
Justamente por estarmos em um período que nos sentimos cansados, sem forças, a Terra termina de dar uma volta em torno do Sol e nos dá uma oportunidade de reflexão e recomeço.
Reflexão por sempre pensarmos em tudo o que ocorreu durante o ano. Afinal, quem não faz a tradicional "retrospectiva", balanceando tudo o que aconteceu no decorrer do ano??? Já virou até objeto de mídia...
Recomeço por, a partir dessa reflexão, surgir a chance de melhorarmos tudo o que acreditamos que não deu certo para nós. Daí também surgem as tão tradicionais "promessas" feitas exaustivamente, mas quase sempre não cumpridas.
Quase todos nós somos alvo de tudo isso. Nos sentimos cansados, após 365 dias de trabalho, vivências, conquistas e falhas. Nos sentimos renovados ao fim do ano, somos impelidos a fazer um "balanço" do que ocorreu durante o ano, e a tomarmos aitudes, decisões, posturas novas diante das conclusões desse balanço.

Mas eu não estou dizendo que isso seja ruim, muito pelo contrário. É bom tomarmos uma postura de renovação, nos colocarmos firmes diantes da decisão de melhorar o que não ocorreu tão bem no ano anterior. É excelente mudar o que está errado, estabelecer novos objetivos, manter o que está dando certo. Porém, é muito mais miportante que essa decisão se mantenha firme durante o ano. É imprescindível que essas decisões nos acompanhe durante o decorrer doa dias, que nos lembremos delas sempre que possível, para dessa forma elas funcionarem.

Pensemos nisso... Qual a melhor forma de manter vivas as decisões, as promessas de fim de ano???

Elas não podem ficar esquecidas na virada do ano, devem estar presentes conosco, para deixarem de ser promessas e fazerem parte da nossa realidade...