domingo, 24 de agosto de 2008

Anjos


"Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam"

Com esta frase, escrita no livro "A Hora de Estrela", Clarice Lispector mostra na figura da inocente Macabéia o que acontece com todos nós.
Bom, ao menos comigo.

Mas, e pra quem não crê?
Não há anjos?

E aquela sensação inexplicável de proteção, de alento?
E aquelas pessoas maravilhosas que estão ao nosso lado quando mais precisamos?
E aquela música que toca no rádio quando estamos tristes e que nos trás um sopro de esperança?
E as lágrimas substituídas por sorrisos?
E todas as vezes que tudo parece estar perdido, mas subitamente a tempestade passa e nos sentimos novos?

Tendo asas ou não, convivendo com nós ou não, os anjos existem.
Afinal "Algumas coisas são verdadeiras, acreditando nelas ou não."
Existem, são verdade, estão sempre conosco...

Macabéia acreditou em anjo.

Eu acredito em anjo.

Esses anjos que sopram vida em nosso ser
Que protegem, apoiam e acompanham
Que são sempre uma realidade, acreditemos neles ou não.

Seja lá quem os mandou, seja lá por quais motivos, seja lá como
eles estão entre nós
acredite você. Ou não.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Sobre a mudança do nome do blog

Olá pessoal!

Esse post é só pra tentar explicar a vocês o motivo da mudança do nome do blog, para o atual "Pura Cinestesia".

A idéia de mudança veio por causa do último post, "Cinestesia". Além de ter gostado muito do resultado, me parece mais a minha cara.
Outro motivo que resultou na mudança foi o aspecto excessivamente melancólico que o antigo título me passava...
Vão continuar aqui registrados sim, alguns pedaços da minha alma, mas eu cheguei a conclusão de que cada lágrima, cada sorriso, cada momento, seja bom ou ruim que eu vivi, se deu graças à capacidade que meu ser tem de sentir na pele, literalmente...

Vai haver algumas reformulações no aspecto visual, mas não muitas... O conteúdo que mudará um pouco.

Espero que gostem da nova fase do blog, que promete vir pra ficar!

Beijos a todos, e muito obrigada!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Cinestesia



Há em meu ser uma repercussão intensa de sensações
pele que se arrepia
boca úmida, porém sedenta
mãos frias
pernas trêmulas
coração descompassado...

A cada toque
a cada vibração vocal
a cada olhar
por mais simples que pareça
torna meu corpo um campo repleto de sentimentos atônitos...

Mas mesmo com esse poço repleto de sensações
há ainda um mar de cinestesia a ser desperto
trancadas em meu ser, prontas para serem despertas e exploradas

Toda essa cinestesia, que parece querer saltar dos meus poros
manifestando-se a cada arrepio
tornando quase uma constante em meu corpo.

Toda essa cinestesia espera ávida o momento de circular livremente minhas veias
de se manifestarem plenamente dos pés ao último fio de cabelo.

Espera o corpo no qual fechará esse circuito hoje aberto
formando uma corrente perfeita.

Corrente que oscila
transmite arrepios
calor
descompasso compassado
sede...

Corrente de uma série de sensações capazes de levar ao paraíso e retornar ao melhor lugar da Terra em questão de segundos...

sábado, 21 de junho de 2008

Fênix



Já não choro mais
Não há mais razão para sofrer pelo nada

Ao alcançar o fundo do poço
Minha alma ganha impulso para subir

Como a fênix
Que precisa das próprias cinzas para renascer
Os pedaços que restaram do meu coração
Se recompõem lentamente

A cada caco recolhido, a força aumenta
Um tropeço ensina mais que o sucesso
Faz com que o renascimento seja ainda mais sublime

Os desgotos não vão amargurar minha alma
Não vou me deixar envenenar pelo remorso
Não vou deixar de amar por causa da incapacidade de outra pessoa em fazê-lo

Quando a minha reconstituição estiver terminada
Estarão reconstituídas toda a minhacapacidade de amar
Mesmo que isso algum dia possa doer de novo
Não vai me impedir de encher os pulmões de vida novamente.

sábado, 24 de maio de 2008

Timidez























O dia inteiro pensando em você...
Angustia-me querer te dizer e não conseguir
O que fazer?
Quando não se faz nada, também não há nada que se possa fazer além de engolir a incerteza sobre o que poderia ter acontecido...

Ah, mas já chega
Vou te procurar e te dizer tudo!
O quanto eu sinto sua falta
Quanto eu quero estar ao teu lado
Quanto transborda em meu peito esse querer!

Decidida
Me arrumo para ir ao seu encontro
Cabelos
Maquiagem
Roupas
Tudo perfeito
O espelho me olha e fica abismado com a imagem que nele reflete
Você está deslumbrante hoje!!!

Respirar fundo e seguir em frente
Juntar todas as forças para te dizer tudo

Mas no caminho, a força vai se esvaindo...
O que você está fazendo?
Não acredito que você está indo lá?
Por que?
Não é possível que você não ouça a voz da razão!

Mas lá no fundo, o coração grita...
Vá!!!
Diga tudo o que sente
Se nada der certo, ao menos tudo estará resolvido
E você tirará um grande peso de suas costas
Não perca a oportunidade de dizer o quanto sente
O quanto quer
O quanto precisa
O quanto será bom
Vá!!!

Então eu vou!!!
Ressurge a mulher maravilha com toda a força que ela pensa ter
Ensaio de palavras
Decoro de versos
Lembranças de notas de uma canção
A poesia me ajudará a expressar cada suspiro existente em meu seio

Força mulher
Afinal, você é uma mulher ou uma árvore
Não adianta ficar fazendo pose de quem nada quer, nada entende
Quando na verdade a verdade é outra

Ao se aproximar
Coração dispara
Ao se aproximar mais
Pernas amolecem
Ao te ver
Parece que um pânico toma conta do momento

Nada funciona, os minutos duram séculos
Parece que os pés pesam
As mãos suam
Tudo conspira pra que se dê meia volta e abandone

Não! Você já está aqui, vai até o final!
Vamos mulher, você consegue!
Cadê toda aquela garra
Da mulher que trabalha, estuda
Corre, ajuda, serve de exemplo, aconselha, diverte
Dedica-se, espera... E como espera!!!

Essa mulher existe, e é você!
Com todas essas qualidades e muitas mais
Não há por que dar algo errado

O rosto começa a queimar
As mãos ficam trêmulas
tudo parece rodar
A voz soa baixa, trêmula, quase imperceptível:

- Oi
- Oi
- Tudo bem?
- Tudo, e você?...

Blá blá blá

"...Posso te falar dos sonhos
Das flores
De como a cidade mudou
Posso te falar do medo
Do meu desejo, do meu amor..."

Seria capaz de passar horas te dizendo tudo o que está aqui dentro
Mas um medo bobo consegue impedir que qualquer palavra se manifeste

Ou melhor, quase qualquer palavra
Fala-se sobre tempo, estudos, festas, feriados, feridas e tudo o mais...

O silêncio toma conta do recinto...
- Está vermelha?
- Não, é o sol...
Sol esse que parece ter maior efeito à sua frente
Onde toda a coragem daquela mulher maravilha
Aquela mesma, que trabalha, estuda
Corre, ajuda, serve de exemplo, aconselha, diverte
Dedica-se, espera... E como espera!!!

Essa mesma mulher maravilha, diante daquele homem
Perde os super poderes
É dominada pelo pudor, pelo desajeito, pela inocência
pelo desastre que a timidez causa

Não sabe o que dizer, como agir
O cordão da blusa é enrolado e desenrolado mil vezes
Os olhos perdem o foco
Os momentos de silêncio parecem abrir um buraco no peito

As horas de treino, o que eu vou falar, quando, como, por que
Toda ação planejada sob a mais rígida minuncia se esvai
A face segura some, dando lugar a um rostinho desajeitado e vermelho
Que simplesmente não sabe o que fazer...

Voltar pra casa sem dizer
Com as palavras ainda entaladas na garganta
Com os sentimentos presos no peito
Com a voz presa no interior...

Aquela mulher bem resolvida, extrovertida, segura de si
Dá lugar à menininha sem jeito, prestes a ganhar o primeiro beijo
Não sabe o que fazer, onde por as mãos, não sabe o que pensar, o que dizer...

Sem poder dizer o que sinto, não posso saber o que você sente
Volta a apreensão, o mal-estar, o friozinho na barriga
É o preço que se paga pela timidez,
Que transforma a mulher em menininha
A pantera em gatinho

Quando você sorriu
Lá se foi minha coragem...

domingo, 23 de março de 2008

Será a grama do vizinho mais verde???




Já me questionei mais de uma vez sobre isso. Esse questionamento aparece sempre quando passamos por um momento difícil, pois é especialmente quando estamos no meio de uma turbulência que a nossa grama perde a cor e a da pessoa ao lado parece ainda mais vivaz.

Ocorre que nem sempre isso é verdade.
Quando olhamos pra grama do vizinho, a vemos bela, verdinha, saudável, imaculada, mas não sabemos o que há por baixo dela.

Aquele namoro doce, feliz, que parece ser inatingível, pode ser apenas o que eles deixam transparecer. Não sabemos os problemas que eles têm, mas que ninguém conhece.

Aquele colega de trabalho que se mostra plenamente feliz e realizado com as tarefas e atribuições que lhe é incumbida, pode estar frustrado e infeliz. Só que ele não mostra isso pra ninguém.

Nunca sabemos quando há problemas com as pessoas, há não ser que elas nos mostrem isso. Caso contrário, a grama sempre estará verdinha e mais viva que a nossa, mas nunca sabemos quando ela está com as raízes podres, sustentada apenas pela aparência.

Passamos por períodos em nossas vidas que, de tão ruins, nos fazem perder a visão realista das coisas, não enxergamos a nossa própria realidade. Essa distorção, em conjunto com o reflexo das coisas boas que aparentemente acontecem na vida dos outros nos fazem perder ainda mais mais a capacidade de enxergar essa realidade, nos trazendo a impressão de que nada dá certo para nós, por mais que nos esforcemos, e dá certo pros outros...

Eles podem não se esforçar tanto assim, pode não dar tão certo assim. Nunca sabemos quando o vizinho está realmente cuidando de sua grama para que ela floresça por inteiro, quando há apenas uma grama aparentemente bonitinha, mas por dentro não há vida, ou quando é o sol que reflete na grama do vizinho, tornando-a mais viva e a nossa mais morta.

Não importa o que faça a grama do vizinho parecer mais verde, ela nem sempre é.

O melhor a se fazer nesses casos, é cultivar a nossa grama sem olhar pra do lado, para que ela floresça e dê a vistosidade que admiramos na grama alheia. Afinal, também nunca sabemos quando o vizinho acha a nossa grama mais verde que a dele...


segunda-feira, 3 de março de 2008

As flores que eu não ganhei...



Nunca ganhei flores...

De todos os meus amores
De todos os meus sofrimentos
De todos os meus encantos
De todos os sentimentos...
Não restaram sequer a lembrança do frescor de uma flor

Nem de uma rosa, nem de uma margarida,
nem de uma tulipa, nem de uma orquídea,
nem de um lírio, sequer uma florzinha de jardim...

Nunca soube como é sentir seu perfume
e junto dela a sensação de ser amada...

Não sei por que as mulheres choram quando ganham flores
Não sei por que elas as amam tanto...

Não sei se uma flor é uma prova de amor
ou um simples gesto de carinho...

Não sei se uma flor traz consigo esperança,
auto-estima, singularidade...

Não sei fazer analogia entre flores e amor
entre flores e bem-querer
entre flores e carinho
entre flores e afeição
entre flores e afeição...

O que pode significar uma flor???
Vida???
Melhor seria deixá-las na terra
Para que assim crescessem e florescessem os campos
Para que, vendo seu brilho tivéssemos a inspiração da verdadeira vida
Para que elas tivessem a liberdade de depender apenas do brilho do sol para ter vida...

Deve ser melhor que vê-las murchar num ramalhete...
Isso sim pode significar a ausência de vida
A morte seca, sem água, sem luz, sem a terra fria a sustentar...

Pobres flores
Deve ser por isso que elas são tão presentes na morte
Para que, assim como nosso último suspirar
As flores nos façam companhia em nossa dor...