domingo, 1 de fevereiro de 2009

De repente

















De repente, não mais que de repente,
Como diria Vinícius de Moraes...


As coisas aconteceram assim,
como um passe de mágica
um piscar de olhos
um suspiro...


Os dias se passavam com a leveza de um pássaro no céu
nenhum sinal de mudança, de descontinuidade.
Apenas um sorriso
uma palavra tênue
um toque, um beijo...

Quando percebi, me vi apaixonada
o coração palpitando
as mãos trêmulas
a presença constante, mesmo sob ausência
Um leve arrepio sobre a pele...


Já era tarde demais

Os dias mudaram
as cores tornaram-se mais vivas
a sensação de alegria aumentavam
até mesmo o tédio tinha um gosto diferente
povoado pela lembrança dos momentos vividos...


E assim
tão de repente quanto veio
foi-se...

Não se sabe como, quando, onde, porque...
mas se foi

Foi-se o amor
mas deixou comigo os suspiros
as recordações
os gostos
as sensações
e um coração cheio de paixão...


Mesmo sem saber como
essa paixão continua aqui
pertencia a nós
agora só pertence a mim

É muito grande e pesada pra eu carregá-la sozinha
machuca, fere
e as feridas vão deixar cicatrizes eternas...


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Exorcismo...


Não...

Não quero mais a mesma história de sempre...
Que se danem os nós
Os amores incipientes
A solidão inóspita
Os cuidados excessivos

Não quero mais contos de fadas...
Nada de príncipes encantados
Sem abóboras
Sem varinhas de condão
Sem sapatinhos de cristal


Quero sentir nas veias
A emoção de cada beijo
A sutileza de cada toque
O desejo contido em cada abraço


Quero correr o risco
De me ferir
De errar
De machucar
Mas também de acertar
De viver
De amar
De ser feliz
Nem que seja por poucos segundos...


Chega de redomas de cristal
Impedindo que a vida me toque e me dê o seu melhor e o seu pior
Chega de versos ritmados
Quero que as palavras sejam ditas conforme minha alma as pronuncia


Quero ir de um extremo ao outro
Provar os venenos e os néctares
A santidade e o pecado
A escuridão e a luz
Sem me preocupar com o quanto isso pode doer
E o preço que terei que pagar...


Quero o ar tomando conta do meu peito
O vento arrepiando a minha pele
A chuva lavando a minha alma
As sensações tomando conta do meu mais íntimo ser...


Quero os espinhos das rosas me ferindo
O sol queimando o meu corpo
O silêncio me fazendo companhia


Que as correntes se rompam
Que os paradigmas se quebrem
Que os muros caiam
E que a vida se faça presente...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Abre aspas: Um pouco de mim...



"Me disseram que o céu é uma imensa oficina... Os arquitetos de Deus, certo dia, com as mãos cheias de argila, esculpiram a Miquelle.

Entalharam lábios grossos, a boca com diâmetro acústico e a língua, de tal forma ágil e infatigável, conteria centenas de fonemas em uma só pronúncia.

Deram-na olhos grandes, de forma que pudessem contornar as órbitas das pessoas, seus erros e acertos...

Proporções pueris, para nela conter a delicadeza das coisas pequenas.

As articulações anexas de tal forma leves que confeririam ao andar a impressão de jamais tocar os pés no chão... Como se todo o corpo quisesse dizer alguma coisa: decifra-me ou devoro-te!

E misturaram menina e mulher em uma só coisa, às vezes dócil como uma flor, às vezes impetuosa como mar revolto.

Não preferiram os cabelos loiros, cátaros de tão puro, nem os pretos, com o pecado nas franjas, deram-na, sim, o castanho encaracolado, uma metáfora (irônica?) com o que seriam as idéias em sua cabeça...

Ah, sim, as idéias em sua cabeça... Idéias que assinalariam polidez, bondade e responsabilidade. Entretanto, acrescentaram com precisão aguda doses extras de ‘mulher brasileira’, para que ela pudesse perder o controle de si, gritar e se derramar em lágrimas para, em seguida, reencontrar-se mais forte, viva. 

Após as últimas pinceladas, empacotaram e enviaram às cegonhas."

Fecha aspas...


...Essas palavras foram articuladas pelo meu grande e singular amigo Rafael Amoroso. Pelas verdades nelas contidas, deixo-as aqui para que todos possam conhecer um pouco de mim através de uma pessoa que, de tão bem me conhecer, soube expressar de forma tão completa algo tão complexo.
Fica aqui também o agradecimento por tudo!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Mudanças

...Ventos em direções opostas soprando
Cenários se modificando
Idéias transmutando
Amores passando

A vida mostra sua dinâmica
O presente minuto já faz parte do passado
Tudo se modifica
O mundo mostra seu semblante transformado

Os olhos não vêem as mesmas cores
Os cheiros, os gostos são diferentes
Os toques despertam sensações volúveis

Eternas inconstâncias
Que acercam a existência
Amanhã o dia será excepcional
Talvez mudem as aparências
Talvez não haja mal
Talvez prevaleçam as dissonâncias
Talvez as consonâncias
Talvez encontremos o final

Só uma coisa é certa:
Entre congruências e incongruências
Nada estará igual...

domingo, 28 de setembro de 2008

De olhos fechados


De olhos fechados
Vejo o que os olhos não podem ver...

Desejos exacerbados
Sentimentos acobertados
Corações acelerados...

Ao fechar os olhos
Os sabores ficam mais deleitosos
Os aromas mais apetitosos
Os toques mais eriçantes...

Os céus chegam mais perto
O sol aquece sem queimar
A água refresca sem gelar
O cosmos ganha ares incertos...

De olhos fechados
Posso alcançar o infinito
Viver os sonhos mais inóspitos
Tocar o fundo dos espíritos...

Mergulhar nas mais profundas incertezas
Desvendar mistérios
Descobrir novas formas de beleza
Através de um simples gesto...

Permitir que meus olhos percebam
O que sozinhos eles não conseguem...

domingo, 21 de setembro de 2008

Só hoje, deixe-me chorar...

















Deixe-me hoje chorar...
Preciso explodir, preciso gritar
Preciso cicatrizar esses estigmas
Nem que seja através das lágrimas

Deixe-me chorar...
Nada me impedirá
Nada me acalmará
Nada justificará...

Quero chorar
Como criança desolada
Como adulta derrotada
Como ovelha desgarrada
Como mulher desiludida
Apenas chorar...

É inútil tentar argumentar
Dizer que não há razão
A dor presente em meu coração
Só eu posso mensurar

Preciso hoje sentir as lágrimas
Brotando em meus olhos
Lavando minha alma
Penetrando pelos poros
Expulsando fantasmas

Amanhã estarei melhor
Os suspiros me curarão
Os soluços me acalmarão
Dissolverá o dissabor...

Estarei mais forte
Serei uma nova mulher
Hei de recuperar meu norte
A coragem de viver...

Mas hoje eu preciso chorar
Até adormecer
Até não mais sentir
Até não duvidar
Que no amanhecer
Poderei novamente sorrir...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Controvérsias...


No meio de tanta complexidade
pensamentos tão extensos
idéias entrelaçadas
opiniões adversas
às vezes me encontro num mar de controvérsias...

Se por um lado eu acredito que deveria ser mais pragmática
por outro o romantismo existencial traz à minha alma uma leveza sobre humana

Às vezes creio que seria tão melhor ser menos "chorona"
mas me lembro do alívio que as lágrimas dão às dores

Poderia talvez não ser tão expansiva
porém, essa expansão que me permite alcanças novos e desconhecidos horizontes

Quem sabe controlar um pouco a dosagem verbal vinda de dentro de mim
só que a expressão me possibilita a descoberta da verdade

Ou então reduzir substancialmente a quantidade de curiosidade
ah, mas e todos os mistérios do mundo a serem desvendados?


Dentre tantas sensações que contracenam em meus pensamentos
os extremos são usuais, rotineiros
fazem parte da composição primária de quem eu sou...

As explosões e as dores que causa às vezes me impelem a querer ser diferente
a eliminar esse sentimentalismo expressivo
mas eles são meus, me fazem ser quem eu sou, singular talvez
ou melhor, peculiar

Conviver com as controvérsias
algumas vezes torturante
outras vezes sublimemente doce
pode não ser tão fácil
mas sem dúvida é um desafio espetacularmente controverso
desafio que pode amedrontar
desafio que pode encorajar
porém, de certo, desafio que eu não deixarei de encarar...