segunda-feira, 3 de março de 2008

As flores que eu não ganhei...



Nunca ganhei flores...

De todos os meus amores
De todos os meus sofrimentos
De todos os meus encantos
De todos os sentimentos...
Não restaram sequer a lembrança do frescor de uma flor

Nem de uma rosa, nem de uma margarida,
nem de uma tulipa, nem de uma orquídea,
nem de um lírio, sequer uma florzinha de jardim...

Nunca soube como é sentir seu perfume
e junto dela a sensação de ser amada...

Não sei por que as mulheres choram quando ganham flores
Não sei por que elas as amam tanto...

Não sei se uma flor é uma prova de amor
ou um simples gesto de carinho...

Não sei se uma flor traz consigo esperança,
auto-estima, singularidade...

Não sei fazer analogia entre flores e amor
entre flores e bem-querer
entre flores e carinho
entre flores e afeição
entre flores e afeição...

O que pode significar uma flor???
Vida???
Melhor seria deixá-las na terra
Para que assim crescessem e florescessem os campos
Para que, vendo seu brilho tivéssemos a inspiração da verdadeira vida
Para que elas tivessem a liberdade de depender apenas do brilho do sol para ter vida...

Deve ser melhor que vê-las murchar num ramalhete...
Isso sim pode significar a ausência de vida
A morte seca, sem água, sem luz, sem a terra fria a sustentar...

Pobres flores
Deve ser por isso que elas são tão presentes na morte
Para que, assim como nosso último suspirar
As flores nos façam companhia em nossa dor...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Aprender...



Sempre soube que o processo de aprendizado não é fácil.

Quando estudamos, o aprendizado demanda:
Concentração
Esforço
Competência
Treino...
Mas, e na nossa vida???

Sabemos que aprender a viver não é fácil
Demanda tempo, paciência
Superação, determinação
mudança
Causa dores, feridas, deixa cicatrizes...

Tempo, paciência...
Não aprendemos a viver da noite para o dia
É necessário que com os anos
A experiência se manifeste a cada obstáculo ultrapassado

Superação...
Cada queda, cada tropeção
Exige de nós a força de um leão
Para nos levantarmos e continuarmos...

Mudança...
Cada passo dado acresce algo em nossa personalidade
Se olharmos para trás, veremos que não somos iguais...

Feridas, dores, cicatrizes...
Quando estamos aprendendo estamos tentando
Tentando, corremos o risco de errar
Errando, o erro pode causar dores incalculáveis...

Quando estamos aprendendo, estamos caminhando
Ao caminhar, corremos o risco de caírmos
Essa queda pode causar feridas

Feridas que doem
Feridas que deixam cicatrizes...

Na minha busca pelo conhecimento
Assim como no meu aprendizado na vida:

Senti a dor da queda...
mas essa dor me fez mais forte

Tive que mudar...
mas essa mudança me fez uma pessoa melhor

Sofri feridas, que deixaram cicatrizes...
mas essas cicatrizes marcaram meu coração e minha alma,
e vê-las me ajuda a não cometer os mesmos erros...

Abri mão de momentos de indolência...
mas como aprendi, e como cresci!!!!

Quem disse que é fácil aprender???
Seja na ciência, seja na vida
É um dos maiores desafios da humanidade

Dói, deixa marcas, é difícil
Algumas vezes sacrifica, exige vastos esforços

Porém, mais difícil que aprender deve ser se sujeitar à ignorância
Viver sob a condenação do marasmo
Não conhecer novos caminhos, novos meios de viver

Aprender é moldar, aperfeiçoar
Ter a coragem de sair do terreno conhecido
E descobrir novos horizontes
Não tão confortantes como a mesmice
Mas com certeza, muito mais gratificantes



domingo, 17 de fevereiro de 2008

Caminhos...

A vida tem seus caminhos predeterminados
Ou escolhemos o caminho a seguir???
Há controvérsias nessa questão

Tem horas que parece que todo acontecimento
Te leva a um caminho inevitável

Mas há momentos que as escolhas que fazemos
Mostram a obviedade
Da responsabilidade que temos sobre a nossa vida.

As vezes as escolhas são tão simples
Que parecem em nada alterar nossa vida
Mas podem mudar o rumo dela totalmente.

Assim como as escolhas que parecem mais cruciais
podem não mudar muito as coisas
Tanto quanto imaginávamos.

Além do que, nunca é fácil fazer uma opção
Por mais simples que pareça.

Acreditar no "lema" dos destinos traçados
Seria não crer na maior dádiva que Deus nos concedeu:
O livre arbitrio.

Porém, acreditar que apenas nós
Somos capazes de definir nossos caminhos
Seria não crer na forma maior de amor de Deus:
Designar as coisas de forma que se cumpra sua vontade,
E sejamos protegidos de todo o mal.

Deixar de acreditar em uma hipótese pra acreditar em outra
Não é errado, nem certo.

Mas creditar no poder de Deus de mudar nossas vidas
Aliados à confiança que Ele deposita em nós
Quando nos permite escolher o caminho que achamos o melhor
Pode ser a melhor opção.

Para não arriscar qual hipótese é mais válida
A melhor coisa é acreditar nas duas
Atuando diretamente sobre cada decisão que tomamos


Escolhemos o rumo que damos às nossas vidas diuturnamente
Mas não podemos deixar de acreditar
Nas "dicas" que Ele nos dá
De qual é o melhor.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Crenças...




Descartes, em seus pensamentos, defende a existência de Deus como o único fato certo.


Concordo com ele em gênero, número e grau.
Tudo é contestável.


Cremos nas pessoas.
Eu acreditei em uma pessoa
Ou acreditei em uma ilusão?

No primeiro momento em que precisei dessa confiança
Uma leve brisa foi o suficiente para pôr tudo abaixo


Constatação:
Não passava de um sonho
Que tinha como base areia
E que desabou na primeira brisa que soprou.

Nessas horas, a confiança que prevalece é apenas uma
A confiança em Deus...
Ele me sustenta e me ajuda a levantar quando eu caio
Da mesma forma que fez agora.


Tá difícil reconstruir, varrer a areia, limpar os vestígios
Qualquer música, foto, fato
Traz novamente a vontade de confiar...
Mas a dor é maior

E confiança é como um frágil cristal
Uma vez quebrada
Pode-se até tentar remendar
Mas nunca voltará a ser a mesma.

Por isso eu não creio mais
O anel era mesmo de vidro
Por mais que eu quisesse que fosse de diamante.

Por isso, tudo aos meus olhos está questionável
E até o mais sólido dos fatos
Ganha minha dúvida.

Nesse mar de crenças e descrenças
Quase nada prevalece
Além da fé naqueles que eu cresci ouvindo
E naquele que me criou, que me dá a vida
E que nunca mentiria pra mim...
Só a fé em meu Deus resta.

Mas ela é suficiente pra tentar reconstruir
Esse frágil elo
Entre os que merecem minha confiança
Mas não a tem
Por causa de alguém
Que derrubou o castelo
E quebrou o anel

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Tempestade...





Lágrimas rolaram
Tempestades se derramaram sobre meu coração
Turbilhões de pensamentos
Hipóteses, variáveis, conclusões


Tudo ocorreu de forma voraz e absoluta
De um tudo, ficou o nada
E assim como no fim das tempestades
Meu coração vive hoje o silêncio desse fim.


Gotas rolam pelas flores
Chão úmido, janelas embaçadas
E o sossego reinando absoluto


Esse silêncio não me imprime sensações
Não incute o desejo de entender o que aconteceu
É apenas o silêncio...

Algo além disso pra provocarem as tempestades?
Talvez um pedacinho de esperança
A quimera de que as coisas fiquem no lugar
A expectativa de ordem

Tempestades revolucionam
Mas quando cessam, acalmam os corações aflitos
Lava a alma, livra o espírito dos incômodos
Levam em suas enxurradas tudo
E cede espaço ao novo, ao recomeço

Que esse dilúvio que passou em mim leve tudo consigo
E me dê a chance de recomeçar
Como uma fênix que renasce das próprias cinzas
Utilizando minha essência para me refazer
Me dando a oportunidade de ser nova
Sem me esquecer do que realmente sou...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Chorar...


Lágrimas, palavras da alma...



Essa frase parece ter muito mais sentido pra mim agora.

Fazia muito tempo que eu não chorava dessa forma (e olha que eu sou chorona pra caramba).



Entre as lágrimas, surgiu em minha mente um turbilhão de lembranças, sentimentos e questionamentos.

Por que as coisas tomaram o rumo que tomaram, se o meu coração parecia (e hoje eu constato que realmente está) tão apaixonado e tão disposto a fazer qualquer coisa pra viver essa paixão? Toda a inteligência, filosofia e competência que existe em mim parece não ajudar nessa caso.



Lembro-me de um dia achar ter percebido em você a mesma coisa. Mas hoje já não tenho certeza de mais nada.

Não sei que atitudes tomar, o que fazer, e meu organismo responde com as lágrimas.



Mas elas embaçam minha capacidade de encontrar uma saída. Toma a minha capacidade de pensar, de encontrar uma solução se dissipa no meio das lágrimas, e isso me leva a mais lágrimas... Seria isso um círculo vicioso???


Enquanto eu não descubro o que fazer, vou reviver cada lembrança, cada doce que passei ao seu lado. Enquanto não encontro porto seguro para atracar, fico aqui navegando no mar salgado de minhas lágrimas.
Por ora, a única a fazer é esperar, como diria Rose de Witt Bukater, no filme Titanic: "...Esperar para morrer, esperar para viver, esperar por uma absolvição que nunca viria."

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Ano Novo

O ano chega ao fim... Hoje termina o Natal, daqui há um pouco mais um ano se vai.

No fim do ano passado recebi um texto, escrito por Carlos Drummond de Andrade, que fundamenta muito bem o que eu pretendo expressar aqui, por isso, vou colocá-lo para que fique bem claro o que pretendo dizer...


"TEMPO. . .
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente..."




...Perceba as verdades contidas nessas palavras.
Qual a diferença entre o dia 31 de dezembro e 1º de janeiro do ano seguinte??? Absolutamente nenhuma!!!!
Acaba-se um dia, inicia-se outro, exatamente como acontece a cada 24 horas. A diferença está no momento em que isso acontece.
Justamente por estarmos em um período que nos sentimos cansados, sem forças, a Terra termina de dar uma volta em torno do Sol e nos dá uma oportunidade de reflexão e recomeço.
Reflexão por sempre pensarmos em tudo o que ocorreu durante o ano. Afinal, quem não faz a tradicional "retrospectiva", balanceando tudo o que aconteceu no decorrer do ano??? Já virou até objeto de mídia...
Recomeço por, a partir dessa reflexão, surgir a chance de melhorarmos tudo o que acreditamos que não deu certo para nós. Daí também surgem as tão tradicionais "promessas" feitas exaustivamente, mas quase sempre não cumpridas.
Quase todos nós somos alvo de tudo isso. Nos sentimos cansados, após 365 dias de trabalho, vivências, conquistas e falhas. Nos sentimos renovados ao fim do ano, somos impelidos a fazer um "balanço" do que ocorreu durante o ano, e a tomarmos aitudes, decisões, posturas novas diante das conclusões desse balanço.

Mas eu não estou dizendo que isso seja ruim, muito pelo contrário. É bom tomarmos uma postura de renovação, nos colocarmos firmes diantes da decisão de melhorar o que não ocorreu tão bem no ano anterior. É excelente mudar o que está errado, estabelecer novos objetivos, manter o que está dando certo. Porém, é muito mais miportante que essa decisão se mantenha firme durante o ano. É imprescindível que essas decisões nos acompanhe durante o decorrer doa dias, que nos lembremos delas sempre que possível, para dessa forma elas funcionarem.

Pensemos nisso... Qual a melhor forma de manter vivas as decisões, as promessas de fim de ano???

Elas não podem ficar esquecidas na virada do ano, devem estar presentes conosco, para deixarem de ser promessas e fazerem parte da nossa realidade...